"(...) mas tudo muda, os conhecidos
tornam-se amigos e depois desconhecidos."
Pedro Mexia, in Poemas escolhidos, Tinta da China, Lisboa, 2018, pág. 10
Pedro Mexia referia-se, neste poema, sobre o que fazer das agendas que insistimos em manter e acrescentar mais um nome, mais um contacto, escrever a várias cores, riscar números e tentar manter actualizadas em vez de recomeçar uma nova a cada novo ano. E eis que, no meio das mudanças das vidas há a nossa mudança.
Conhecemos alguéns a quem muito passamos a querer. Descobrimos imensas interligações, coisas que inacreditavelmente nos ligam para lá dos tempos até que, esse mesmo tempo nos desliga, inexoravelmente. Os amigos da infância, os inseparáveis da adolescência, os conversadores de horas perdidas, os nossos heróis e, até, os nossos amores... ficam desconhecidos....ficamos desconhecidos.
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sábado, 9 de março de 2019
Poema e poesia
"O pó acumula.se
e depois de limpo
torna a acumular-se
no cimo das lombadas"
E quanto desse pó
Não são restos de nós
Peles mortas que por aí
Permanecem até tombarem
Como os livros
Que em nós ficam
Até tombarmos
No esquecimento.
e depois de limpo
torna a acumular-se
no cimo das lombadas"
E quanto desse pó
Não são restos de nós
Peles mortas que por aí
Permanecem até tombarem
Como os livros
Que em nós ficam
Até tombarmos
No esquecimento.
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